Jonas,bem que eu te falei:
estamos no poço
estamos um osso
duro para eles roerem.
Estão nos demitindo,Jonas.
E minha mãe preocupada
e sua mãe chorando
e a mãe dele se desespera
e a mãe dela se entorpece.
Mas estamos aqui,pilares de contruções
rodas vivas,vivas a rodar nessa ciranda
de pedra mármore cimento cinzas
de quarta-feira.
E a a semana ainda não se foi,Jonas.
Nós não somos brancos,nem temos olhos azuis
mas eles têm e se alucinam feito nós
e dançam como nós
e morrem.
Eu te falei,Jonas!
estamos todos duros
e não sabemos mais o que é fruta
e o que é caroço
não sabemos mais,não choramos mais
Jonas,vem comigo
arrumo um canto pra você no meu quartinho
ainda temos algo pra lembrar
O rio corre mais rápido,mais raso
e eu e você vivemos.
Meu amigo Jonas,velo seu corpo
antes do suicídio natural do seu ato de fumar
já morremos um pouquinho na fábrica
que não era do poema
mas era cortesia da América.
Ah,Jonas!Somos fuligem
somos folia,pó da última fumaça
cortesia industrial.



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